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"Minha professora é chata!"

Caio chegou com essa história aqui em casa: "Minha professora é muito chata!". O menino estava mesmo bravo. Ele não quis me dizer por que acha a professora chata, mas acredito que seja porque ele esquece de copiar a agenda e ela briga. Sentei com ele e conversei. Perguntei o porquê, mas ele não esclareceu bem. Resolvi que esse assunto está encerrado e expliquei a ele o seguinte: se a professora é chata, ele que controle suas emoções e aguente até o final da aula. A vida é assim, também tem muita gente chata. Não vou à escola ficar de mimimi porque meu filho acha a professora chata. Veja bem: ela deve acordar muito cedo, trabalhar pra caramba numa escola altamente exigente e ainda vai ter que aturar chororô de mãe? De jeito nenhum! Ela não o maltratou e está ensinando o que tem que ensinar. Pra mim, está de bom tamanho. Hoje há essa cultura de que professor tem que ser palhaço, mágico e ator. Eu não acho. Professor tem que ser professor. Não tem que ser babá, nem animador de festa. É claro que há pessoas mais engraçadas que outras, umas mais doces, outras mais tímidas e por aí vai. O que a gente não pode fazer é achar que o professor está lá para entreter nossos filhos. Ele está lá para fazer o trabalho dele: ensinar. Se isso acontecer de uma forma encantadora, ótimo. Se não, que o aluno aprenda a ser paciente e a respeitar o jeito do professor. É por querer agradar tanto as crianças que os pais estão se perdendo. A escola deve ser um lugar agradável e motivador, não um circo. O aluno merece ter voz, mas não pode ser tratado como um reizinho que manda e desmanda no corpo docente, principalmente em escola privada. Com isso, o professor vira refém e a escola, com seus coordenadores e diretores submissos aos pais, vira um circo de horrores, um comércio, onde quem manda é o cliente (pais e alunos!).  Então, Caio, meu filho, eu estou aqui pra te ajudar sempre, em tudo, mas sua professora não tem o botãozinho de "curtir" do Facebook, você não precisa aprovar o trabalho dela. Quem tem que aprovar é o chefe dela, que tem conhecimento suficiente pra avaliar o trabalho de um professor. Pirralhos de 6, 7, 8 anos não têm condições de avaliar o trabalho do professor.

Mamãe vai embora

A mãe tá cansada. Acorda cedo, trabalha, busca filho na escola, arruma casa, faz comida. Exausta. O filho resolve pentelhar. Suja o banheiro que foi lavado há uns minutinhos atrás. Reclama de fazer dever. Deixa tudo bagunçado. Irrita. Irrita muito. Aliás, tira o dia pra encher o saco. Faz tudo que não pode. Sim, a maternidade tem seu lado chato, como tudo na vida. A mãe conversa. A mãe briga. A mãe fala mais alto que o normal. A mãe sai do controle. Num momento de desespero e cansaço, a mãe diz que vai embora. Maldade, é verdade. O filho fica em prantos com a possibilidade de perdê-la. Ela morre de pena, mas deixa pra ver até onde vai. Malvada demais, mas naquela altura, o bom senso já tinha ido pro beleléu. Em desespero: Mãe, eu te amo mais que tudo na vida. Você é a melhor pessoa do mundo. Não me deixa nunca. Eu preciso de você. Os dois se abraçam. Ele pede desculpa e ela se acha uma megera. A pior das criaturas. Fim.

Um alerta: Não, não fica mais fácil quando eles crescem.

Como manter a casa limpa e arrumada sem ajudante?

Dia desses estava trocando figurinha com as mamães blogueiras num grupo no Facebook e nós falávamos sobre as dificuldades de fazer todas as tarefas de casa e não ter empregada doméstica todos os dias. Deixei lá meu desabafo: 

Eu não dou conta. Quando me mudei pra longe da minha mãe, achei que fosse conseguir fazer tudo. Imaginei que com apartamento pequeno, filho maior, tudo se ajeitaria, mas não estou conseguindo. Dou aula de manhã enquanto Caio está na escola. Passo na escola dele e voltamos pra casa (num sol de rachar!). Quando chegamos em casa, tenho vontade de morrer só em pensar que ainda tenho tudo pra fazer em casa! A parte mais complicada é a comida. Ocupa muito do meu tempo (tô aprendendo a fazer coisas básicas ainda). À tarde, 2x na semana, ainda o levo pro Inglês, o que quebra muito o meu dia. Não sei como as meninas (Aline Silva Dexheimer, Cris Guimarães, Silvia Azevedo e Viviane Pereira) conseguem. Tô aqui devorando cada dica. rs Ah, eu tenho um agravante: tenho hérnia de disco e tudo que faço me faz sentir dor. :-/ Tô pensando em comprar um aspirador. Que marca/modelo é legal, pessoal?

Como é difícil! Eu não sei o que acontece na minha casa, gente. Tudo fica sujo muito rápido. A poeira dá cria aqui, só pode. Se eu varrer o chão três vezes por dia, ele vai continuar sujo. Não é uma sujeira pesada, mas é aquela poeirinha no chão e nos móveis que me incomoda. Pra completar, meu banheiro é branco. É, eu sei que banheiro branco é complicado e deveria ter escolhido outra cor, mas não consegui fazer outra combinação com as pastilhas verdinhas do box. Eu sou um nojo com banheiro. Tudo tem que estar brilhando e muito limpinho. Bom, vocês já imaginam a neura, né? Como vocês fazem??? Já li dicas boas lá no FB, mas quem tiver dicas de como manter a casa limpa e organizada sem precisar de ajudante todos os dias, ficarei muito agradecida. 



Você tem que comprar um carro

Um dia eu acreditei que não poderia viver sem carro. Como uma mãe e trabalhadora moderna poderia desfilar por aí sem um automóvel? Entrei numa auto-escola, sofri, ia me arrastando, chorei várias vezes porque era uma coisa que eu não queria, mas me sentia na obrigação de fazer. Conclusão: fui reprovada na prova e não quero mais isso pra mim.
O tempo passa, as coisas mudam e o carro deixou de fazer parte das minhas prioridades. Na verdade, foi depois de ler várias pesquisas e opiniões (inclusive a do meu marido) sobre os custos absurdos de se ter um carro que eu me conscientizei de que um carro pra família (no nosso caso) tá mais que bom. Desisti de me torturar numa auto-escola.
Pra se ter um carro, tem que ter dinheiro. Eu, por exemplo, não tenho 30 mil dinheirinhos pra dar num carro agora. Todos nós conhecemos os gastos de se ter um automóvel (o valor do carro em si, seguro, IPVA, combustível, estacionamento e manutenção). No geral, as pessoas só pensam no valor do carro, fazem uma prestação altíssima, vivem pegando dinheiro emprestado no banco e só vivem no vermelho. É tudo muito caro. Pra bancar esse luxo, eu teria que trabalhar muitas horas (mas muitas mesmo!) a mais do que trabalho hoje e, sinceramente, não quero e não posso. Não vale a pena. 
Uma pessoa tentou me convencer de que é necessário ter carro porque, numa emergência, você pega seu bibi e corre pro hospital. Eu, nervosa que sou, não conseguiria dirigir com Caio passando mal dentro do meu carro, por exemplo. Um táxi me atenderia bem. 
Outra pessoa me disse que se um dia eu me separar, eu vou me arrepender de não ter um carro. Oi? A pessoa já conta com o divórcio. Achei engraçado e triste isso. Então, é melhor também eu me prevenir comprando outro apartamento, arrumando outro marido logo, fazendo terapia... Tudo feito com muita antecedência, neam? rs 
Mercado. Ir ao mercado de carro é muito mais fácil. Olha, ultimamente não tem sido difícil ir andando, não. Eu vou ao mercado, compro o que quero e eles entregam. Uma beleza. E como eu não gosto de fazer compras, na maioria das vezes, quem vai é o marido. Ele se amarra.  
Passear de carro é mais tranquilo. É verdade. Mas eu raramente saio sem meu marido. Nossos passeios são sempre em família. E quando eu saio sozinha com Caio e não dá pra ir de ônibus (na maioria das vezes, dá), chamo táxi. Sai mais barato que comprar um carro e eu não preciso me preocupar em achar estacionamento. ;-)
As pessoas me irritam um pouco tentando me convencer o tempo todo a ter um carro e, sabe, tem hora que cansa. Eu não quero fazer uma prestação que pode chegar à metade do meu salário, não quero viver no vermelho e pegando dinheiro emprestado só pra bancar um carro, não quero trabalhar enlouquecidamente pra isso e o mais importante: eu não tenho a CNH! Como eu vou ter um carro??? Carro, pra mim, não é status! Não é e nunca vai ser. Conheço um monte de gente que tem carro, mas não tem dinheiro pro cachorro-quente. Sério.
Da próxima vez, vou tentar convencer a pessoa a ter uma conta bancária saudável porque, né, se eu tenho, todo mundo tem que ter. Agora, se quiser me dar um de presente (com motorista e tudo, por favor), tô aí!


Felicidade

Cheiro de filho. Beijo de marido. Presença de mãe. Visita de amigo. Trabalho com gente querida. Dormir até a hora que der na telha. Cheiro de café. Gaveta com cheirinho de sabonete. Emagrecer. Conversa de criança. Banho quente depois da piscina. Chegada na praia. Ventinho entrando pela janela. Pôr do sol. Papo com amiga de infância. Viagem. Carinho dos alunos. Perfume. Nota boa em prova. Pearl Jam. Livro novo. Bebê na família. Ar-condicionado. Meu aniversário. Rock 'n Roll. Canetas coloridas. Ficar com minha mãe. Buscar filho na escola. Casa arrumada. Banheiro brilhando. Final de semana. Sapatilhas. Varanda fresquinha. Feijão de mãe. Carinho do marido. Friozinho com cappuccino. Barulho de chuva. Feriadão. Filme e pipoca. Escrever. Deitar no tapete da sala. Família reunida.
Vida feliz.      


Escola nova, desafios novos



A gente pensa que passando aquela fase de adaptação no Maternal nossas preocupações estarão resolvidas. Então, a vida dá uma volta e você se vê novamente tendo que passar por todo o processo de adaptação ao novo colégio. Mais tranquilamente, claro. Afinal de contas, o filhote já está no 4º ano (passou rápido demais!). 
A escola é tradicional e católica - é o contrário do que eu queria de verdade. No entanto, teríamos que pagar o dobro para que ele estudasse na escola dos meus sonhos. A escola dos meus sonhos guia os alunos para um mundo de descobertas, experimentação, observação e, consequentemente, os alunos aprendem. Acontece que essa escola é longe e cara demais. No mundo real, não adianta sonhar com a escola ideal. É preciso ter dinheiro pra bancá-la, sejamos realistas. 
A escola que escolhemos tem uma ótima estrutura, bons professores e a Coordenação parece que sabe o que está fazendo. Estou confiante. Além disso, tive ótimas recomendações de pessoas em quem confio. É próxima do meu prédio e eu posso levar e buscar o pequeno - isso foi fundamental pra nossa escolha. 
Nessa primeira semana, Caio ficou muito bem na escola. Apesar de ser tímido, tentou fazer amizade e eu fiquei orgulhosa do meu filho. Eu sei como é difícil pra ele vencer a timidez. Ele está motivado e feliz. O que importa pra mim é ver seu sorriso na hora da saída - isso é bom sinal. 
No caminho de volta pra casa, ele sempre vem me contando as novidades. Tem uma sala muito legal só de Artes. Tem que rezar não-sei-o-que-lá-pai-nosso, segundo ele. rs Tem futebol todo dia no recreio. Tem um monte de professora, mais ou menos uma pra cada matéria. Tem amigo com sotaque do Nordeste. Tem menino que xinga na hora do recreio. Tem amigo da antiga escola que também se mudou. Tem cachorro-quente na cantina (mas cantina, só às sextas-feiras). Tem professora de História calminha, calminha. Tem professora de Português muito agitada. "Professora de Português é assim mesmo", disse ele. Tem professora que escreve rápido demais no quadro. 
Enfim, tem um mundo novo o cercando. Um mundo pra ser desvendado. E meu papel é ajudar o pequeno nessa nova fase. Bora ver no que vai dar!