Quer coisa mais difícil que escolher uma boa creche para o seu pimpolho?
Uma criaturinha que até então esteve sob seus cuidados, hora certa para tudo, muito amor e carinho, atenção exclusiva... Difícil, não é?
Caio nunca ficou em creche, mas ele foi para o Maternal (meio período), tipo escolinha. Na época, me descabelei! Procurei, pesquisei, conversei, analisei.
Existem muitos métodos de ensino e abordagens diferentes e, sinceramente, não tenho visto nenhuma escola/creche seguir à risca uma metodologia. Isso é ruim? Não! Acho que o legal é conhecer as abordagens e tirar o que há de melhor de cada uma.
A primeira coisa que observo em uma escola é o profissional. Sim, porque é ele que estará em contato com a criança durante muitas e muitas horas, talvez até mais do que a própria mãe. Então, acho ideal levar a criança para assistir a uma "aulinha" na escola e observar como o profissional lida com as diferentes situações. O bom profissional da Educação Infantil sabe que ali é um espaço onde a criança irá se desenvolver em vários aspectos e ele será o mediador, o "problematizador".
Vou dar um exemplo:
Na rodinha, a professora mostra várias figuras de animais de estimação. Pergunta a cada aluno que animal ele tem (se tem), o nome e tal. De repente uma aluninho fofo, lindo e bochechudo diz: "Não pode pegar o au-au no colo".
A professora, então, aproveita esta fala e começa a despertar o interesse dos alunos sobre o assunto: "Por que não se pode pegar cachorrinho?" Outro aluninho diz: "Mamãe falou. Dá pulga." Então, a professora começa a explorar mais o que se sabe e o que se pode saber sobre o assunto.
Professora: "E o que a pulga faz?"
Aluno: "Pica."
Professora: "E daí? Fica coçando muito?"
Aluno: "Coça muito."
Professora: "E se o cachorro estiver limpinho?"
Nesta conversa, a professora parece confirmar a interdição lançada: não se pegam cachorrinhos porque eles dão pulga, que dá picada, que dá coceira!
Assim, a professora dá sentido ao que a mamãe cuidadosa diz: o cão é uma ameça à saúde se não estiver limpinho!
Dessa forma, a professora esperta estabeleceu múltiplas conexões entre os temas, criou múltiplos fios de interligação e construiu, com as crianças, uma rede de significações. Lindo, não é?
Além do profissional, observo sempre o local: é limpo? é seguro? é um espaço lúdico? a criança poderá se movimentar com espontaneidade? O ambiente tem que estimular a exploração de interesses, é preciso romper com a mesmice e o ambiente também precisa criar oportunidades de trabalho diversificadas.
Eu valorizo muito a escola que tem o solário, o parque, o parque de areia e que tenha "cantinhos" (da casinha, do cabeleireiro, do médico, do supermercado, da leitura, do descanso...). Dessa forma, a criança pode interagir com seus coleguinhas em ambientes diversificados, aumentando a troca e o aperfeiçoamento da linguagem. Uma coisa que acho o máximo é a sala de espelho! Todos esses espaços possibilitam o desenvolvimento motor e a criação do imaginário. Os cantinhos definitivamente são um sucesso. Mas o mais importante é a criança ser estimulada, ser inserida em ambientes diferentes, cheio de materiais diversos que possibilitem as mais variadas brincadeiras.
E tudo isso que eu citei não é só para aquelas escolas chiquérrimas e caras não. Dá para fazer esses cantinhos se houver imaginação, criatividade e boa vontade.:-)
Trabalhar com projetos também é legal, mas isso vai num outro post.
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